Iniciativas de empreendedorismo social pipocam por toda parte. Entenda o que esse conceito quer dizer

A arte de empreender inspira e motiva pessoas pelo mundo todo. Grandes negócios são criados e ótimas ideias são colocadas em prática. Vidas são transformadas, empregos são gerados e desafios são superados. E bota desafios nisso. De alguns anos para cá um novo tipo de empreendedorismo vem ganhando a cena, o empreendedorismo social. Você já ouviu falar nisso?

Sim, empreendedorismo social. Pode-se dizer que o empreendedor que opta por esse caminho, monta um negócio em que a responsabilidade social está no core do negócio . Como assim? Isso mesmo. São negócios lucrativos que resolvem problemas sociais por meio da venda de produtos ou serviços.

Você deve estar se perguntando se esse negócio de empreendedorismo social é mesmo verdade. A resposta é sim. O empreendedorismo social já é uma realidade no Brasil e no mundo; e os diferentes modelos de negócios desenvolvidos por empreendedores estão quebrando muitos paradigmas, contribuindo para transformar realidades.

Esta matéria da INC  traz 4 cases de empreendedores sociais (de Londres, China e Índia) e suas empresas que, de acordo com a publicação, estão mudando o mundo. Mas, aqui no Brasil, o empreendedorismo social também está dando o que falar. Além de negócios cada dia mais inovadores, pipocam organizações fomentadoras da atividade (incubadoras, aceleradoras e, até, fundos de investimento voltados para empresas com esse fim).

Geo Energética: recursos naturais bem usados

Em tempos de escassez, cresce mais ainda a necessidade de se ter fontes de energia renovável. O Brasil passa por uma das piores crises hídricas de sua história e São Paulo sofre o terceiro racionamento de água dos últimos 15 anos. E bota problema social nisso. Mas sempre tem um empreendedor com uma grande ideia e vontade para fazer acontecer.

Nesse caso, um paranaense de 32 anos, Alessandro Gardemann – Empreendedor Endeavor – descobriu uma fonte de energia que pode gerar 80% da capacidade da Usina de Itaipu, e sem nenhum impacto negativo ao meio-ambiente. Nasceu um negócio social, a Geo Energética, que fornece uma fonte de energia limpa e renovável que é capaz de funcionar o ano todo.

Mas o que um empreendedor social tem de diferente?

Este artigo de Roger L. Martin, ex-diretor da Rotman School of Management na Toronto University e diretor da Skoll Foundation, publicado na Harvard Business Review, apresenta as principais descobertas de um estudo que a Skoll Foundation fez sobre o tema.

A fundação, durante 15 anos, acompanhou de perto empreendedores sociais bem-sucedidos e fez a seguinte descoberta: que todos se concentram em mudar dois aspectos de um sistema existente para criar modelos financeiros sustentáveis capazes de permanentemente deslocar o equilíbrio social e econômico em direção aos seus beneficiários-alvo. Você se encaixa nesse perfil?

Dicas para quem se interessou pela ideia

Se você adora superar um desafio e lidar com cenários complexos a ainda sonha em mudar o mundo, pode ser que o empreendedorismo social seja um caminho para você. Além disso, o empreendedorismo social é uma forma interessante para dar vida a projetos que busquem equilíbrio entre lucro e relevância social .

Este artigo escrito pela coordenação da Ashoka Brasil, respeitada instituição de fomento ao empreendedorismo social, traz algumas dicas importantes para os empreendedores sociais:

Comece identificando um problema social

Sabe a dor do cliente? Então, para um empreendedor social, a dor do seu cliente é um problema social. A Geo Energética, por exemplo, trabalha com a questão dos resíduos sólidos e da geração de energia. Sim, o acúmulo de lixo é um problema social, assim como a geração de energia. Você pode desenvolver um negócio para qualquer “dor” que achar relevante, não importa o campo: alimentação, educação, mobilidade urbana, moradia, acesso a crédito, enfim, problema social é o que, infelizmente, não falta no  mundo.

Imersão total no seu público beneficiado

Se o seu negócio vai resolver um problema social, então você precisa entender a fundo esse problema. Não adianta querer resolver a questão da violência na comunidade X se você nunca foi lá. Ou então criar algo para melhorar o atendimento médico à pacientes de baixa renda – como é a proposta do Dr Consulta, por exemplo – se você nunca foi a um hospital público ou conhece verdadeiramente a demanda do seu público alvo. Nesse campo, o Design Thinking pode te apresentar ferramentas poderosas para mergulhar nesse novo contexto e trazer insights à tona.

Como em qualquer outro negócio, você precisa ter um projeto claro e definido

Use o Canvas para montar o seu modelo de negócios. Como qualquer outro negócio, para empreender no campo social, você também precisará definir um plano de marketing, uma proposta de valor e sua estrutura de custos. Além disso, como você estará se propondo a resolver problemas sociais, precisará definir indicadores para medir o impacto do seu negócio.

Criar junto

Você está se propondo a resolver o problema de alguém, certo? Então, que tal perguntar para essa pessoa como ela se sente em relação à esse problema e à sua solução proposta? Isso parece óbvio, mas muitos negócios não dão certo por esse motivo: o produto não resolve a dor do cliente, não é um produto desejável. Quando estamos falando de problemas sociais, a complexidade vai lá para cima. Então, que tal envolver os beneficiários do seu negócio nesse processo de validação do modelo de negócio? Apresente seus projetos e os convide para fazer parte da co-criação. Eles devem ser vistos como as grandes fontes de informação e devem ser parte inerente das ações que estarão em andamento.

Bom, o empreendedorismo social ainda é um campo cheio de desafios e complexidades, e também território onde empreendedores estão testando e validando hipóteses. Caso esse caminho não dê certo, é preciso encontrar outro caminho. Mas, no final das contas, o mais importante é: nunca desistir!

Fonte: Endeavor

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